domingo, 20 de maio de 2012
Não existe amor em SP
Carros, coletivos, aviões, tudo cruza, tudo passa por ela e ela passa sem ser percebida, é isso que pensa todos os dias quando se levanta e vai trabalhar, faz tudo como se fosse roteirizado, é o seu cotidiano, que dividido com milhares de populares que se olham, se esbarram e não se enxergam.
E quando toma seu café ele tem o gosto das suas desilusões, cada gota é uma frustração um sonho adolescente que ficou ali no meio do caminho.
sábado, 19 de maio de 2012
Vodkas e Dólares
Inverno Russo, 1985.
Eu e minha melhor amiga Anna, estavámos em um bar discreto tomando a clássica Vodka para nos aquecermos, o bar tinha uma porta com vidros vermelhos e amarelos, estava bem conservado apesar de muito antigo.
Estávamos ali em busca de aventura, como sempre faziamos em cada verão e inverno. E aquele tinha um gosto especial de férias entre mulheres que estavam ali apenas para se divertir, sem barreiras ou com qualquer opinião formada de mulherzinha biritando.
Anna tinha acabo de acabar com um relacionamento de 5 anos, queria extravazar e não era eu que iria segurar.
Eu já estava em busca de outra coisa, apenas beber, beber e beber.
Já na sexta vodka eu já não sentia mais nada, apenas sorria, Anna com uma resistência incrivel ao alcool podia aguentar mais umas dez bebidas tranquilimente, foi ela que narrou a história pra mim a partir daí.
Já passava da 1h30 da madrugada quando o sininho da porta tocou, ela badalava um estálo cada vez em que a porta se abria para mais um cliente, já era esperado aqueles russos branquelos entrarem...e foi o aconteceu, 3 homens fortes, altos, brancos, olhos azuis, nariz vermelho entraram por aquela porta, Anna trocou olhares com dois e o que sobrou foi pra mim, como de praxe Anna arrebatava olhares que se dividam entre desejos.
Eles sentaram no proximo ao balcão, como todo homem e mulher a regra não muda nessa hora, ainda mais com a falta de espaço e o frio congelante do lado de fora.
Anna levantou o copo em oferecimento de brinde aos rapazes de aparências tão semelhantes, logo eles abriram o sorriso e lentamente se levantaram e caminharam em nossa direção.
De perto pude ver o quão branco eles eram, com suas maças do rosto rubradas, sobrancelhas grossas, olhos azuis como um céu de brigadeiro, dentes fortes alinhados e meio amarelados, o que se sentou ao meu lado se chamava Dmitry e o outro que se sentou na minha frente não descobri o nome, era tão tímido que se escondia no copo de cerveja maltada.
Olhei para a Anna que trocava olhares e conversa ao pé do ouvido.
Ouvimos uma voz rouca dizendo coisas que não conseguimos entender como se fosse preciso, rapidamente vimos as pessoas se ajeitando, colocando os casacos e deixando dinheiro sobre as mesas, claro o dono estava anunciando que era hora de fechar.
Imitando todos os gestos, deixamos o dinheiro na mesa e prosseguimos para a porta que de tão estreita quase saímos abraçados uns aos outros.
Andamos acompanhadas desses rapazes na mesma direção do nosso hotel, na minha frente Anna seguia com o Russo de voz forte e doce chamado Roman, que a segurava pela cintura.
Chegamos na porta do hotel, Anna subiu e foi para o quarto dela com Roman, eu olhei para o Dmitry e sorri como convite o terceira rapaz seguiu o caminho sozinho.
Me lembro de uma luz no corredor que falhava , piscava muitos, as risadas de mulheres felizes ecoavam naquele corredor com papel de parede floral, eu andava tropeçando até chegar a porta do meu quarto que era vizinho ao de Anna., não era primeira vez em que eu fazia sexo com um desconhecido, mas eu não estava me sentindo bem, acho que abusei na dose da vodka, ele me beijo e ficamos em silêncio, silêncio esse que foi interrompido pelas risadas e gritos de Anna, meu quarto foi completamente invadido por vozes vizinhas, o encosto da sua cama batia na minha parede, os istalos de ouvir outro casal foi me deixando com uma vontade de tentar uma guerra. Não queria deixar barato, deixar de me divertir menos.
Mas a bebida tinha me deixado tonta demais, antes mesmo de começar eu dormir do lado daquele rapaz que ficou frustrado.
Acordei com o telefone do meu quarto tocando, era a Anna, gritando aos berros, pedindo pra eu acordar logo e ir ao quarto dela, eu dormir com a mesma roupa que cheguei da rua e assim mesmo fui ao quarto dela, tropeçando nos meus pés.
Ela estava branca, chorava muito eu sem entender nada e querende entender tudo, mas ela falava tão rápido, e apontava pras malas.
Quando olhei direito vi as malas reviradas, roupas pelo chão, bolsas vazias então corri para o meu quarto e vi todas as coisas no mesmo estado das coisas de Anna, comecei a mexer na minha bolsa e vi que todos os nossos dólares tinha sido levado, cartões, joias.
Sentamos no chão e começamos a rir, rir do nosso despero, da nossa ingenuidade, abrimos uma garrafa de vinho, acendemos nossos cigarros e brindamos a nossa falência.
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