domingo, 20 de maio de 2012

Não existe amor em SP

Carros, coletivos, aviões, tudo cruza, tudo passa por ela e ela passa sem ser percebida, é isso que pensa todos os dias quando se levanta e vai trabalhar, faz tudo como se fosse roteirizado, é o seu cotidiano, que dividido com milhares de populares que se olham, se esbarram e não se enxergam.
Quando volta pra casa, acende teu cigarro, ouve blues, abre um vinho tudo é tão clichê na sua vida, o que pode acontecer para ela viver? Porque uma coisa é estar viva outra bem diferente é viver.
Ela mora na capital mais agitada do país, onde tudo acontece, só não acontece com ela, como se fosse transparente e tudo atravessa seu corpo mas não toca.

Seus namorados, seus casos imaginários com o bonitão do metrô que quando sai da estação ela nunca mais vai ver.  Ela torce para que algo folhetinesco aconteça, e a acorde desse sono apático; antes fosse um pesadelo onde ela grita e sai correndo e tropeça, mas não, e a ditadura do relógio insiste em dividir sua vida e seu corpo.

E quando toma seu café ele tem o gosto das suas desilusões, cada gota é uma frustração um sonho adolescente que ficou ali no meio do caminho.
No trabalho é responsável, é discreta, ri quando necessário, dá bronca por divertimento porque sente um pequeno prazer sádico em ver subordinados com medo, isso é o seu ponto alto do dia. Depois que almoça vem sempre aquela moleza, coloca a mão na consciência e chega de bom humor para a segunda parte do seu dia, todo mundo estranha a sua oscilação, mas ninguém ousa falar, até mesmo os hierarquicamente superiores, porque eles sabem que mesmo sendo abaixo, ela vai dar uma resposta ácida na hora.
É sexta-feira sempre veste uma roupa mais sexy, nada de decotes e fendas, mas roupas que contorne a sua silhueta que para ela é o que há de mais charmoso.  Vai fazer o seu programa predileto, encontrar com suas amigas, beber, comer e falar mal de seus empregos. Homens? Claro nessa conversa onde parece falar em códigos que só uma mulher pode decifrar, elas falam de seus homens, dos que queriam, dos que detestam, dos que repudiam, dos que amam e os dos sonhos, um tipo mitotóligo, bem sucedido, bom filho, bom amante e que no futuro será bom pai, mas claramente esse ser imaginário nunca vai se materializar, então se contentam com um que pague a conta e tenho uma boa foda.
Saem dali e descem a rua Augusta, antes de entrar em qualquer enferninho paulisto checam a rua de ponta a ponta, querem saber onde tem mais fila, onde tem mais homem e menos moleques, parecem até uma versão de sex and city mas sem recurso, porque baixo augusta não é NYC cinematrografica, é uma coisa bem mais real, sem bing, sem grifes, porque estas estão do outro lado da rua, do lado alto, mas lá não há baladas, apenas lojas com seus preços que te deixam em dúvida, compro um carro ou um vestido?
Elas podem até ir para outro lugar, mas querem ficar ali sentir a cidade na rua mais democratica. Se decidem por uma balada dub, lugar de porta única vermelha, nome interessante, dentro cheio de estudantes de humanas porque são tão caracteristicos, maconha ali não é problema, tem quem fume, tem que rejeite, tem que beba, olha encontramos uma biblioteca dentro da balada paulistano é pedante por natureza, adora esfregar na cara que é estudante. Nas rodas de dança tem saias, sandalias, calças listradas, porque a paulistano que frequenta a ausgusta gosta de um visual suburbano, alguns casais encostados na parede rabiscada, logo são cercadas por  tipos tão comuns, mas o que querem encontrar nesse lugar? Sorrisos, danças, porque paulistano não é agressivo, é sutil oferece bebida e ganha um beijo, porque quando abre um sorriso é sinal de simpátia, se gosta olha, se não gosta despreza mesmo, sem dó. Paulistano só entente paulistano.
Entre sorrisos, danças, insinuações, dançando sempre com uma garrafa de long neck nas mãos, porque odeiam não ter o que fazer com elas soltam ali. Sem ritmo ela dança, chama atenção da roda, joga os cabelos, sensualiza com sua garrafa na mão,  troca olhares com o rapaz escolhido, aquele que é mais discreto porque ela não gosta dos tipos competidores de fisiculturismo, pode ter porte atlêtico de preferência, mas não precisa ter cabeça pequena porque os musculos parecem montanhas, pra ela isso deforma o corpo, se ela busca o equilibrio na vida, então busca o equilibrio visual no corpo do homem também, nada mais justo, ela não quer ser a desesperada que fica com o cara desinteressante e depois das 3h da matina, sim, isso é regra clara, nada de ficar com alguém depois desse horário, porque todo mundo jé encheu a cara e só as feias sobram e longe dela estar nesse circulo do inferno.
Naquela troca de olhares não é preciso dizer nada, as frontes das testas se encostam, sorrisos largos, nariz com nariz, suas costas batem na parede, mesmo beijando não param de dançar, dessa vez mas contidos, suas mãos cruzam em volta do pescoço dele, uma mão ainda segura aquela garrafa, quase deixando cair, as mãos deles ainda são tímidas, porque um toque errado pode colocar tudo a perder e ele não quer ficar sem aqueles amassos e beijos quentes.
Os corpos estão juntos, grudados, ela pode sentir a ereção do rapaz que ainda segura a sua nuca e bagunça   o seu cabelo, uma das mãos que envolvia o pescoço dele desliza delicadamente por sua costela, ela sente os musculos definidos sem exageros, sente a pressão da sua ereção que a deixa mais excitada , suas unhas longas roçam a calça jeans dele, seu corpo pede pra que ela abra o ziper, mas a sua cabeça diz não!
Com a iniciativa dela, ele se sente livre pra escorregar as mãos de sua nuca e deixar passear por seus seios, o cara de São Paulo está tão acostumado a pegar em bojo e não em seios que quando segura um sem proteção ele não sabe ser delicado e aperta com força, ela não compreende mas acha aquilo forte, intenso, mais intenso do que isso era a sua vontade de tirar a roupa.
A blusa foi saindo aos poucos de dentro da calça dela, com maestria de um adolescente que tenta burlar os pais, ele colocou as mãos por baixo da blusa, as mãos suadas deles encostam no corpo quente dela, tocam de lado os seus seios e logo cabem na mão, ela sem pensar e seguiu seus empulsos abre o ziper e segura o pênis em sua mão, ela sente pulsar.
A boca dele segue até o pescoço, beija até chegar na sua orelha que é mordiscada, "vem comigo" ele sussura, no lugar todo escuro quem se importa se o ziper dele está aberto ou ela está com o farol acesso como diz a giria.
Um canto qualquer já não é suficiente, uma porta ali aberta, um cubiculo, sim um banheiro, isso é mais comum do que se imagina,  mas ela nunca tinha feito isso, era tudo novo, um sabor diferente, afrodisíaco, ela mesmo com tesão pensa - eu não nunca encostar nessas paredes.
Mas bastou um empurrão dele e ela já estava de pernas bambas, ela já não queria o controle da situação, levantou os braços e ele abriu o ziper da calça dela , sua calcinha de preta, sua pele pálida se escondia por trás da renda; ele com calma tirou a calcinha e ela ali de olhos fechados só conseguia sentir a sua língua se misturando na água que descia da sua vagina.
Começa a tocar uma de suas bandas favoritas The Doors, a música é touch me, e é isso que ela pede, que ele a toque, que ela a faça sentir e dentro dela ela se sente viva, quase alcançando um orgamos mesmo sem sexo, porque uma coisa assim tão aventureira deixa a pele em carne viva.
 A boca dele vai subindo, ele morde e aperta seus seios, beija a sua boca como se fosse come-la, agarra forte a sua cintura e a pendura na cintura dele, transam ali naquele banheiro pequeno, de luz vermelha, pouco limpo, estão tão excitados que não conseguem levar a transa adiante por mais de cinco minutos, logo estão satisfeistos, saciados, as pernas doem mas quem se importa quando se consegue uma boa foda. Porque pra ela transa boa é aquela que deixa o corpo com dor para se lembra no outro dia.
A sua boca ainda pede mais, ele a beija e finaliza o beijo com uma mordida nos lábios, quando ele vai falar algo que ela sabe que será clichê e totalmente desnecessário, ela levanta os dedos e cala a boca dele - Não fala nada, não fala que foi incrivel, não fala nada.
Ele ri com um sorriso de lado, meio sem graça, abre a porta do banheiro os dois saem como se nada tivesse acontecido, a fila que esperava do lado de fora, alguns olham feio, outros com inveja mas ninguem fala nada, aqui é praticamente publico, como se fosse um bar holandês onde sexo em praça pública é permitido.
Eles entram no salão novamente, ela chama as amigas que tem dúvida no olhar, elas saem e ele pega no braço dela, pede o telefone, ela ri o beija e sai. Pensando ela, eu que não serei A desesperada pra dar meu telefone pra um cara de balada, que me comeu e eu sei que não vai me ligar no dia seguinte, então pra que esperar o que eu tenho certeza que não vai acontecer, porque paulistano é assim, não acredita na sorte.
Elas sobem um pouco a rua, cruzam a esquina a sua direita e logo caem na Hadock Lobo, como de praxe tomam o café da manhã na melhor padaria da cidade, conversam , entre sucos ligths, pães de centeio e frutas a conversa volta para o mesmo ponto do restaurante, o que vocês fizeram? Foi Bom? Era grande?
Tem pegada?
Todas as perguntas são engolidas junto com o pedaço de mamão que entra em sua boca e com uma risada tudo se responde.
Entram no metrô tudo é tão calmo, vão para casa tomam banho e dorme, porque aos sábados é dia de caminhada, domingo macarronada, como viver o que se quer em uma vida apenas em um dia?
Ela sempre pensava nisso, essa era a verdadeira dúvida existencial dela, largar tudo e sair por aí, mas por aí aonde?
Paulistano não sabe viver sem sem empreguinho de segunda a sexta mais ou menos, sua vidinha de domingo mais ou menos,  e seu fodinha apenas no acaso mais ou menos.
Só é tocada quando está viva e quando vive se toca.  


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